jump to navigation

A Hora da Estrela, fora de hora. Junho 22, 2008

Posted by McFly in livro.
Tags: , , , , , ,
add a comment

Em tempos outros, participei de uma comunidade no Orkut para escritores. Nada de profissionalismo, tratava-se de escritores sem coragem ou oportunidade ou qualquer outra coisa, que preparavam cartas, e-mails, bilhetes, e nunca, jamais, os enviavam. A grande maioria dos participantes escrevia os mesmos sentimentos desse ou daquele jeito, sem variação alguma na exposição; 95% buscando uma resposta à pergunta: -”Envio ou não envio?”

A matéria, i. e., o sentimento ou situação, que tinham como inspiração era sempre a mesma; não havia, inclusive, qualquer concessão ao estudo de novas formas, era sempre mais do mesmo: leste uma das cartas, certamente já terias lido todas as outras. Pois que essa afirmação seria verdadeira não fosse por uma dezena de pessoas que por ali passavam e transformaram aquela comunidade numa feliz cantina, daquelas com cantoria, soluços, vinho e um jantar eterno. Pois que esta dezena tinha, quase como consenso, uma escritora predileta: Clarice Lispector. Mesmo que a autora não fosse a preferida da dezena citada, sua sensibilidade era assunto constante e sempre motivo de indicações a quem quer que pedisse indicações de leitura.

As indicações feitas ali foram insuficientes, não me levaram às páginas de Clarice, mas me trouxeram Rosa Montero, graças à Graça. Temas e qualidades completamente diferentes, passou-se bom tempo até Clarice ser citada novamente; dessa vez, era Maria quem falava e falava dela - sinceramente, nem sei exatamente como isso se deu porque não guardo qualquer recordação de discussões sobre livros com ela, quaisquer - e gosto de falar de livros, não, Giuli? -. Sei, entretanto, que esta pequena conversa aqui no blog deveria ter ocorrido há pelo menos cinco meses e sempre adiei, por motivos que também me fogem - forçando , todo esse parágrafo, à memória de como a vida é fugaz -.

O golpe final, entretanto, aconteceu em palestra do prof. Amâncio Friaça, do Instituto de Astronomia e Geofísica da USP (IAG - USP), sobre Astrobiologia; a ordem dos slides de uma de suas aulas (serviu de base para a palestra) me parece invertida, com relação à apresentação que assisti, mas lá estão as primeiras palavras de A Hora da Estrela: “Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida.”

Liberdades poéticas à parte, chegara a hora, tinha de experimentar. Pois bem, comprei uma edição de A Hora da Estrela, no final do ano passado. Edição diferente, da editora Rocco: com o livro vieram dois CDs com locução para o prólogo de Maria Bethânia e, para o texto integral, de Pedro Paulo Rangel.  

Não importei-me com o áudio, para ser bem franco; pode até ser interessante ouvir a obra, depois, mas não queria lê-la com vozes outras na cabeça: talvez ficassem resquícios em minha memória de uma maneira de apreender a pontuação que simplesmente me impediria de remontar uma obra inexistente - afinal, ela somente passaria a existir para mim enquanto obra depois de lida - (Giuli não teve a mesma sorte: li o livro inteiro para ela, ou brinquei que o fazia). Importante relembrar (justifico-me a mim mesmo): Regina dissera há muito tempo que meus escritos tinham um quê do fluxo de consciência de Clarice Lispector; - mesmo depois da leitura do livro, minha curiosidade ainda não foi de todo saciada: não sei se citara e me relacionara ao dito fluxo por conta da pontuação, colocada como se estivesse pensando e conversando, ou das digressões (há pouco, Santos disse que escrevo tal qual um Tristam Shandy; mas esse é outro livro, merecedor de outro texto).

Apesar de falar em digressões, estas não aparecem, propriamente ditas, em A Hora da Estrela; ou não, posso estar falando bobagem; — o que eu queria dizer é que digressões ou reflexões à parte, Clarisse, ela - ou melhor: ele; o livro está escrito em primeira pessoa e Clarisse é, então, Rodrigo -, aproveita-se que está a contar a história de Macabéa (urgente!) para discursar sobre a escrita. Metalingüística (im)pura, um bom prato para os amantes do processo criativo ou de conversas paralelas, daquelas sem fim.

Não sou fã do que chamo coitadismo (não sou o único a usar o termo, a julgar pelos links encontrados - ou deveria escrever linque, em honra à nossa língua, contra os colonizadores, os imperialistas, etc. etc.? -), nem me animo a assistir filmes ou ler livros com esta temática. Felizmente comecei a ler A Hora da Estrela despido deste preconceito, pois a história de Macabéa é triste, miserável: total falta de perspectiva e, até, inexistência do momento agora. Ou, como diria Rodrigo, impregnado de escrita e pensando Macabéa: -”Mas não sabia enfeitar a realidade. Para ela, a realidade era demais para ser acreditada. Aliás, a palavra realidade não lhe dizia nada. Nem a mim, por Deus.”

Macabéa perdera o único namorado que tivera em toda vida para a colega de trabalho, Glória - que muito me lembra Grace, de Dogville, tanto pela raiz do nome quanto pelas pequenas ajudas que ambas prestam -, que representa ao de Jesus uma primeira oportunidade de ser alguém na vida (e pros diabos com o amor sem os temperos da vida real: o relato de Rodrigo é cru).

Macabéa, ignorantezinha que era, não se questionava: somente reproduzia pérolas de conhecimento distribuídas em rádio, crendices espancadas da tia, encantos da infância e café frio; um contraponto a Hamlet, talvez: sem indagações, cheia de perdões, e imune à desejos de vingança - e a quaisquer desejos, até: viver lhe doía.

Prefiro calar sobre a hora da estrela a que se refere um dos tantos títulos deste livro: seria abusar de spoilers, fazer análise acadêmica e resumir, o que nunca foi intenção minha. A idéia deste sempre foi relatar os prazeres de ler esta minha primeira obra de Clarice e seus prazeres: as doçuras, a pontuação e fluxo, a metalingüística. Tens a oportunidade? Lê. 

 

Savage Season, de Joe R. Lansdale Janeiro 5, 2008

Posted by McFly in livro.
Tags: , , , , , , , , ,
add a comment

Li Savage Season, de Joe R. Lansdale. Só ouvi uma pessoa falar deste autor, há cerca de seis anos: ela havia traduzido o livro por puro esporte - era recém-formada em tradução pela UNESP - e, que eu saiba, a tradução nunca deu em nada. Felizmente eu consigo entender um pouquinho de inglês e, por isso, tenho a sorte de ter meus horizontes um bocadinho mais abertos: pude experimentar o autor.

Encontrei o livro na Cultura, meio que sem querer, enquanto procurava (de novo) pelo livro novo do Stephen Hawking, George e o Segredo do Universo (em inglês porque a diferença de preço é pouca e… bom, frescura minha - mentira, o livro tem capa dura, papel melhor e eu sou físico, então definitivamente prefiro ler esse livro com os termos originais. Digressões, como sempre).

O fato é que eu não tinha nem o nome do autor, nem o do livro, claros em minha cabeça. Deparei-me com ele na estante de importados e fui perguntar à vendedora sobre. Ela me perguntou qualquer coisa e eu falei do que me recordava: -”Este livro pode (vejam bem, pode) ser parte de uma série. Eu sei  que esses personagens, o Hap e o Leonard, aparecem em diversos livros dele, mas pode ser mais um universo próprio do autor que uma série de livros.”

Série foi a palavra mágica, pra vendedora (uma graça, a moça): -”Esse autor é como o Marcos Rey?”

Ignorei-a: na verdade não a ouvi perguntar sobre Marcos Rey e, pro escândalo de quem estava ao redor, revelei que não me lembro de ter lido um único, qualquer, livro da coleção Vaga-lume. Não importa, ela só tinha Savage Season, em italiano e aí, colega… valeu, obrigado pelo peixe. Trouxe em inglês.

Resolvi procurar na internet antes de começar a leitura: era o primeiro livro em que os dois protagonistas aparecem. Ótimo, ponto pra mim que tive sorte e a aproveitei ao comprar o livro. Abrindo o livro, outra surpresa: era exatamente o mesmo livro que eu começara a ler em inglês e cuja tradução tive em mãos. Sorte pura, oportunismo idem.

A garota que sugeriu que eu lesse o livro estava estudando, naquela época, o cânone literário e vivia falando do quanto esse livro era diferente, fugia às normas (ironias da vida: ela guerrilhava contra o cânone e vivia canonicamente). O fato é que o livro foi lançado em 1990 e tem em um de seus protagonistas, Leonard Pine, um homossexual assumido; e isso no glorioso estado do Texas, lugar mundialmente conhecido por seus habitantes de mente quadrada e comportamento obtuso. Muitas das aventuras de Lansdale acontecem no Texas, terra natal do escritor, local onde ele ainda mora e mantém, acreditem, uma academia de artes marciais em que é instrutor.

Os personagens principais deste livro são Hap Collins e o já citado Leonard Pine. Ambos são mão de obra barata, trabalhando no que quer que lhes apareça pela frente. Hap é um ex-detento (com uma boa causa - eventualmente abandonada) e Leonard é um ex-soldado; a guerra do Vietnam deveria uni-los de maneira amarga - Hap foi preso por se negar a ir lutar no Vietnam, guerra de que Leonard participou e voltou vivo - mas não lhes causa qualquer estranhamento. Além do tipo de trabalho que costumam realizar, o apego às artes marciais e um humor cheio de sarcasmo, ironias e tiradas ácidas deixa os protagonistas no mesmo balaio.

O livro inteiro - curto, no tamanho certo - é rápido; os personagens já são apresentados num ritmo acelerado, com intenções, histórico e trejeitos. O que achei interessante logo de cara é que os personagens - apesar do que li por aí - não são bons nem maus; existe uma área cinzenta conhecida popularmente como vida, que eles habitam com serenidade: tem lá seus idealismos, suas vontades e fazem besteiras como qualquer pessoa (e fazem piada das piores situações possíveis, como eu adoro fazer). Até pensei em comparar a construção dos personagens a Mandrake, Camilo Fuentes ou Thales Lima Prado de A Grande Arte - outra dica de leitura da mesma garota -, de Rubem Fonseca, mas fiquei com a sensação de que os personagens de Fonseca acabaram ficando estereotipados, assumindo um naturalismo extremado.

Enquanto pensava sobre o livro, me veio à mente O Assassinato do Anão do Caralho Grande, do Plínio Marcos. O livro tem um tom popular, com um mundo perfeitamente factível e sem um sabor de denúncia das mazelas da sociedade, mesmo quando escancara temas racistas ou homofóbicos. Lansdale, ao que encontrei por aí, é conhecido por tocar em assuntos complicados - homofobia já foi muito mais natural, lembrem-se - como a pedofilia.

O autor ganhou nada mais que sete prêmios Bram Stoker - oferecido pela associação de escritores de Horror (HWA ou Horror Writers Association) -, sendo um deles graças a Savage Season, em 1991 (agora, em 2007 ele foi premiado por sua antologia, Retro Pulp Tales).

Prêmio Bram Stoker para John Everson, por Covenant

“Quer dizer que este livro tem fantasmas, monstrinhos, vampiros, sangue a dar com pau, etc. etc. etc.?”

Não. Eu também fiquei na dúvida quando vi que o livro havia rendido ao autor um prêmio de horror, não conseguia entender muito bem a razão. Usando a definição de um dicionário, a HWA define o gênero  como literatura que provoca medo, temor, pavor intensos. Partindo dessa definição, facilmente pode-se enquadrar Savage Season na categoria de horror policial. A situação dos personagens chega a tal ponto que nem eles nem o leitor têm muito tempo para pensar em saídas. Particularmente, não tive uma sensação de pânico; entretanto, acompanhei cada segundo dos personagens tentando achar uma saída para a encrenca - e o gângster hilário - em que se meteram.

Espero ler mais dele.

Pra finalizar, ainda falando de Lansdale - outra obra, entretanto -, queria deixar algo registrado sobre o filme Bubba Ho-Tep, que tem roteiro baseado em conto do Joe (que concorreu ao Bram Stoker, diga-se de passagem). O filme tornou-se um cult. Conta nada mais nada menos que o que aconteceu ao Rei - o verdadeiro -, Elvis Presley. O cara foi parar num asilo e, no filme, acaba enfrentando uma múmia. Chega, procurem, assistam.

 

Clube da Luta: o que é sua vida? Dezembro 8, 2007

Posted by McFly in filme.
Tags: ,
1 comment so far

Mesmo sabendo não ser a hora de escrever poustés, precisava começar. As últimas duas horas foram dedicadas inteiramente às ciências e à procura de uma maneira de romper a couraça de professores e acadêmicos com vinte anos de rodagem. Deixa o motor descansar um pouco, hora de comer um sanduíche na beira da estrada, quem sabe até tomar um suquinho de milho.

(nunca sou objetivo, e daí? Além do mais, comecei esse pousté há duas semanas, pelo menos)

Desculpas mais que suficientes para eu aproveitar e escrever sobre Clube da Luta. Velharia, já, o filme tem lá seus oito anos, estreou em 1999. Alguém que me conheça pouco (e quem não conhece pouco, pouquíssimo?) provavelmente estranhará; uma torção de nariz indesejada está acontecendo. Continue, continuo.

Gosto do filme, sempre gostei, apesar do que dizem por aí sobre o excesso de violência. No Brasil, principalmente em São Paulo, muita gente ainda vai lembrar do caso do tiroteio no cinema, numa sala de shopping.  Outros ainda se lembrarão do que aconteceu em Columbine e dirão: -”Olhai como a vida imita a arte!”

É, ta certo: a bíblia é que é livro de paz; ela e somente ela. Antes de acreditar nisso que tal revermos os fatos, senhoras e senhores?

(faço agora uma leitura própria do filme, sem qualquer preocupação em deixar vocês confortáveis - é assim que tenho escrito aqui e pretendo continuar assim: chato, chato mesmo. Aliás, vale a nota: spoilers adiante)

Bem e mal

Pra começo de conversa, deve-se pensar na falsa afirmação de que há bem e mal ou um lado com razão e outro sem, num conflito qualquer. É, sim, necessário ser injusto ou ilógico: me parece - e espero que me contrariem, por favor, adoro ser contrariado - o uso da lógica pressupõe condições ideais, e. g.,  que a situação seja conhecida de forma completa (o que, por si só, já me soa impossível) e que tenhamos, todos, uma medida correta, idêntica, única. Hora de cair naquilo que o colega pedagogo, Leandro, vivia dizendo: um homem não entra duas vezes no mesmo rio.  De um jeito ou d’outro, me usei como medida pra esse parágrafo; poderia ser outra escolha qualquer.

Violência

O filme é violento, cheio de pancadaria. Falo isso lembrando do que meu amigo Jhonny disse, há tempos, sobre A Vida é Bela: -”Ah, falam que filme X ou Y é violento, mas eu… eu discordo. Não, não, a forma como o pai mente o tempo todo pro menino, aquilo é de uma violência sem tamanho!”

Fiquei com sensação similar depois de assistir Tropa de Elite: com toda a violência assistida, o que me incomodou mais foi ver o estudante-sonhador transformar-se no prático policial. Sem querer desmerecer a dor física pelas quais passam os outros (e já desmerecendo); tais dores não tiveram desdobramentos e, portanto, são facilmente descartadas ao longo da película. Voltando ao Clube da Luta, esse tipo sutil de violência acaba rolando de forma engraçadinha, nas viagens alucinantes do narrador sem nome, e por pouco tempo: são encontradas formas alternativas de lidar com aquilo que está em falta; meu estômago não foi revirado.

Solidão e Tratamento

Uma das coisas que evidentemente falta na vida do narrador é uma amizade qualquer: Ele viaja o país, de costa a costa sem ter com quem conversar. Os amigos do narrador são tratados como pessoas descartáveis, single serving friends, com quem ele só tem a duração do vôo para criar e perder qualquer vínculo: -”Entre a decolagem e o pouco, temos nosso tempo juntos.”

O narrador

Reclama que suas amizades são descartáveis, compra pilhas e mais pilhas de móveis IKEA. Enquanto isso a vida se esvai, se-gun-do a se

                           gun

                                  do.

O narrador sem nome escolhe encarar o problema seguindo o conselho médico: -”Quer ver dor? Vá à reunião do grupo de pessoas com câncer nos testículos.” Desesperançoso, ele passa a ir a encontros de grupos de auto-ajuda diversos, encontrando pessoas em situações piores que aquela em que ele vive. É interessante notar que nestes grupos, o narrador não tem amigos, mas tem a atenção dos participantes: mesmo quando ele não diz nada, comove e move os outros. O narrador se sente livre e tranqüilo ao perder toda sua esperança; comparecer aos grupos era o equivalente a morrer e renascer, revigorado.  Fazendo a terapia, assume identidades quaisquer, com os nomes mais impopulares possíveis à exceção de um: Taylor - que tomo como uma referência ao excelente Taxi Driver.

A terapia degringola por causa de mulher - sem ofensas, queridas, mas vocês realmente sabem bagunçar o coreto do mundo de los machos. Já antes do primeiro encontro com Marla, pode-se dizer que o personagem de Edward Norton é um introvertido, um tipo psicológico popularizado por Jung (não sei se foi ele quem criou o conceito); Marla é saudável e, portanto, tão mentirosa quanto ele, obrigando-o a fazer algo que ele definitivamente não quer (e, como introvertido, faz sem muita opção): reavaliar suas ações. Para um introvertido, estar errado não é nada bom…

Rothe-Kushel escreveu um artigo sobre Clube da Luta para o The Film Journal (adorei o artigo e o The Film Journal, por sinal, recomendo fortemente) em que ele alega que a insônia e o vazio sentimental do narrador permitem que seu temperamento extrovertido aflore - resultado: Tyler Durden é liberado. As palavras do narrador confirmam esse pensamento: -”Se você acorda, em horas diferentes, em lugares diferentes, você poderia acordar como sendo outra pessoa?” - O próprio Tyler responde a essa pergunta: -”As pessoas fazem isso todos os dias. Elas falam sozinhas, elas se vêem como gostariam de ser. Elas só não têm a coragem que você teve pra deixar rolar.”

E Tyler é tudo aquilo que seu outro eu não é. Já na primeira interação entre os dois, introvertido e extrovertido, Tyler assume a masculinidade e a força de caráter do narrador, que não se sente à vontade para assumir a responsa de abrir da porta do avião, em caso de emergência: -”É um bocado de responsabilidade. Não sei se sou o cara certo pra essa tarefa específica.”

Culpa

Voltando às (queridas, adoradas) mulheres, Jack não se sente lá muito másculo: que tipo de homem tem como seu totem de poder um pingüim de fala mansa? Tyler é explícito quanto à recuperação da masculinidade do narrador: -”Somos uma geração de homens criados por mulheres. Eu me pergunto se outra mulher é a resposta de que precisamos.” - Há muito que se discutir no que diz respeito à maneira como os homens ainda enxergam a masculinidade, isso é fato. O narrador, como tantos outros filhos por aí, das gerações mais recentes, foi criado sem uma presença masculina forte (o pai dele saiu fazendo filhos pela América) e cheio de culpa por ser homem, por pensar como homem, por querer agir como homem; eventualmente, perdeu a própria identidade masculina: deixou de lado a pornografia, o catecismo religiosamente guardado sob o colchão, e tornou-se um consumidor, fugindo para o banheiro com seu catálogo de móveis IKEA.  Tyler é o homem que o narrador gostaria de ser, passando a assumir tarefas: -”Você procurava por uma forma de mudar sua vida. Você não conseguia fazer isso sozinho. Todas as coisas que você sonha em ser, eu sou. Meu visual é como você gostaria que o seu fosse, eu meto como você gostaria de meter, eu sou esperto, capaz, e, o mais importante, eu sou livre em todas as maneiras que você não é.”

 Tyler não se sente culpado por ser homem, ter impulsos, desejos e satisfazer suas vontades. Ele tira o narrador da solidão perpétua, Tyler é um espírito livre. A criação, Durden, é “uma compensação para os amigos que faltam”. Quando Tyler consegue algum tipo de controle, causa uma grande liberação - simbolizada pela destruição do apartamento -, empurrando o narrador rumo a um mundo indescoberto; ao se mudar para a casa de Tyler, rompe limites, encontra objetivos novos e se joga neles, despreocupado. O introvertido sem convicções muda de atitude, buscando feitos que perdurem, contrariando uma veia consumista que é vitrine das conquistas imediatas e não duradouras. Nas palavras de Tyler: -”Melhorar-se é masturbação; agora, auto-destruição…” - Deixar de importar-se com o prazer imediato, ter histórias pra contar, não fugir do sonho, da meta, por conta das dificuldades cotidianas: deliciar-se em novos horizontes, explorar, descobrir.

De acordo com Tyler, não temos objetivos, estamos perdidos no tempo: -”Nós somos os filhos do meio da história. Sem propósito ou lugar. Não temos uma grande guerra. Nenhuma grande depressão. Nossa grande guerra é uma guerra espiritual. Nossa grande depressão são nossas vidas.” Quem ainda tem um objetivo maior que si mesmo? Os objetivos gerais passaram a ser ter uma casa, carro do ano, internet rápida, TV a cabo. A sugestão de Tyler: -”Só depois que perdemos tudo é que temos liberdade pra fazer qualquer coisa.”

Tyler, o fazedor de sabonete

Questionamentos são lançados, inúmeros. Há a necessidade de revirar valores: -”Nossos pais eram modelos para Deus. Se nossos pais caíram fora, o que isso te diz sobre Deus?” - Mudar e perder dogmas, abrir mão de participar da sociedade: os personagens se afundam em solidão, perdem a chamada normalidade. Durden volta ao tema da morte e do renascimento: -”Você precisa saber, não temer, saber, que você morrerá. Até que você saiba disso, você é um inútil.”

Eu poderia ter me prendido, como outros críticos que acabei lendo enquanto montava este, à características de seita que o clube passa a ter, ou ao fato de que a saída para o problema dos personagens é se espancar até que as coisas façam sentido. Mas, na boa: é só um filme e, pra tanto, eles podem explorar quaisquer liberdades, sem medo da felicidade.

Mas, e você? O que você quer fazer da sua vida?

O Coringa de Batman: The Dark Knight Dezembro 1, 2007

Posted by McFly in HQ, filme.
Tags: , , , , , , ,
1 comment so far

Pronto, finalmente. Assisti à Tropa de Elite, pra satisfazer todo mundo que, de repente, tem referências mil. Meu comentário sobre o filme?

“Sensacional, sensacional!”

Assistir filme brasileiro sobre os coitadinhos do nordeste já não me move mais; todo mundo faz, fez ou fará um filme com essa temática. Cansa. Ou não, mas o prisma usado é sempre o mesmo, sempre os mesmos ângulos, as mesmas crises, mesmas tristezas. Dá pra fazer mais que isso, com certeza. Tá, tô dizendo isso pra elogiar a construção hollywoodiana de Tropa de Elite ou, melhor dizendo, o fato de darem um olhar diferente do que tamos mal-acostumados no cinema nacional.

Pouco importa, isso é assunto pra outro pousté.

Comecei falando do Tropa de Elite porque eu não esperava que o filme tivesse o nível de violência que tem; as cenas, sem querer, me fizeram pensar em Batman e aí chego no pousté de hoje. Vambora.  A primeira referência que passou pela minha cuca foi, desnecessário dizer, O Cavaleiro das Trevas, escrita e desenhada pelo Frank Miller, minha estória favorita do Batman (em todos os tempos, desculpaí).

Capa da HQ O Cavaleiro das Trevas

O Cavaleiro das Trevas foi lançada no meio da década de 80 e é um marco na história dos quadrinhos, elevando as HQs a outro status, aproximando-as do público adulto não-nerd (porque os nerds não tem idade). A revista é um marco por ter mostrado um Batman muito humano, completamente obsessivo - não necessariamente bonzinho; existe um outro tanto de contribuição narrativa e estilística que Miller conseguiu realizar nessa obra mas essa não é essa a motivação pra este pousté.

O fato é: o Batman retratado nesta revista é um dos mais violentos até então, se não o mais violento de todos. Minha cena preferida do Batman em todos os tempos está lá. Como posso narrar, vejamos…

Um garoto é seqüestrado por uma facção criminosa denominada Mutantes - boa provocação pra Editora Marvel e seus X-Men, não?. Em mais uma aparição quase demoníaca, Batman invade o cativeiro e salva a criança, ferrando (o linguajar se faz necessário, sim, eu me empolguei) com os seqüestradores. Aliás, notem: os danadinhos estavam usando armas a que somente o exército deveria ter acesso (qualquer semelhança com nosso crime organizado é mera coincidência ou predição). Quadro negro, caixas de diálogo entre duas pessoas: uma voz que poderia ser qualquer - mas não é, ta cheinha de sarcasmo - e outra voz, abatida, estremecida.

Há uma tentativa de negociação. O quadro continua negro. Ameaças. A voz trêmula continua a barganhar.

-Você quer barganhar? Deixa eu te explicar a situação, animal… você não está em posição de barganhar…

O quadro deixa de ser negro: parece listrado com pequenas coisas ao longe. A cena vai se abrindo e percebemos que as listras negras eram na verdade dedos e… as coisinhas pequenas era a cidade, muito lá embaixo. Batman subira um enorme edifício carregando o marginal e dependurou-se com ele num gárgula, de cabeça pra baixo. No quadro seguinte o cavaleiro das trevas dá risada, todo satisfeito: -”Os gritos, a informação… valeu muito a pena.”

Ok, fiz uma adaptação livre da cena (emprestei minha edição antiga pro Gabriel e ele nunca a devolveu. Tenho outra, novinha em folha e lacrada, em minha antiga casa mas… quem disse que pretendo abrir?) só pra dizer que existe outra adaptação a esta cena em Batman Begins - cena e violência que eu não esperava encontrar também neste filme, diga-se de passagem. Enfim, sou fã, gostei muito do filme, bola pra frente.

Batman Begins termina com um gancho para a aparição do Coringa, que já esteve em Batman, dirigido por Tim Burton. Neste filme, de 1989, o Coringa foi interpretado por ninguém menos que Jack Nicholson. Como vilão, desculpem a brincadeira, o cara roubou o filme. Como faz parte da minha infância, tenho saudades do filme, então não falo mal. Houve um zum-zum-zum danado dos fãs quando ficaram sabendo que o vilão seria interpretado dessa vez pelo brokebacker Heath Ledger. O espanto, até agora, tem se mostrado à toa - e chegamos finalmente à motivação deste pousté: o novo Coringa.

Tive que escrever sobre, depois que vi um pousté com a foto que saiu na revista Empire. Pelamor, me obriguei a procurar informações. Acabei caindo em mais motivações pra escrever esse, porque a galera de marketing da DC Comics (na verdade da Warner) está sendo mais que brilhante.

O Coringa na capa da Empire Magazine

Melhor explicar.

A única coisa que colocaram na página do filme novo, Batman: The Dark Knight foi um link para uma campanha que deve existir no filme, para tornar Harvey Dent promotor público. O grande barato é que existe uma campanha alternativa, como se fizéssemos parte do universo do filme e o Coringa estivesse por aí, sacaneando.

 Clicou?

Não? Faça.

 Page not found, certo? Mais ou menos. Eu não sei qual o jeito certo de fazer isso pra todos os browsers, portanto dê um jeito e faça a seleção de todo o texto, de uma única vez (no meu Internet Explorer 7, Ctrl+A resolve isso). Bacana não? A brincadeira continua: copie esse texto selecionado pro Word e peça a substituição no texto inteiro de “ha” por espaço. A quantidade de pequenas brincadeiras pode ser muito maior; o pouco que eu coloquei aqui veio do Online Marketing Blog que chupinhei sem dó. Marketing viral, legal.

o Cavaleiro das Trevas

Esse tipo de sacada gera discussão espontânea que pode se desenrolar até o lançamento do filme. Este post foi escrito em cima disso, aliás. Besteirinhas que rendem e deixam eu falar de assuntos que eu estou a fim e não requerem que eu leia alguma outra coisa antes, ou converse com alguém. É, sou lento; e fiz o serviço.

 Vale dizer que na entrevista dada à revista Empire, Ledger foi claro: este Coringa que lhes apresento é um sociopata de sangue gelado, um palhaço assassino sanguinolento. Batmaníacos, nerds de plantão, adoradores de vilões: acho que vocês podem relaxar.

Pra finalizar, outra sacada: alguém precisa contratar um palhaço pra animar sua festa?

Seinfeld: a série completa em novo box Novembro 25, 2007

Posted by McFly in TV.
Tags: , , , , ,
1 comment so far

O Marelo, grande amigo, me chamou de canto, ontem: - “Cara, cê ta sabendo da caixa nova de Seinfeld, que tão vendendo só pela Amazon, que tem material extra?” Fiquei com raiva, eu não sabia. Antes fosse a raiva só porque não sabia do novo material; passei a última semana enfurnado, trabalhando, não pude ver nada e quanto a isso não há o que fazer. Meu problema é bem outro: demorei a beça pra começar a comprar as caixas e, agora que chego à sexta temporada, descubro que existe algo novo e super legal? Essa mania que os vendedores, marketeiros, produtores, têm de criar a edição simples, depois a de colecionador, a de apaixonado, aficionado, amante e, por fim, a definitiva… ah, isso não tá certo. Eu entendo as necessidades do mercado mas e daí?, dane-se, me sinto desrespeitado. Aliás, descobri que tem mais gente que se sente exatamente como eu, bem aqui.

Desabafos à parte, digo sem remorso ou desgosto que me sinto menos desrespeitado por uma boa nova como essa do que pelas legendas em português ou as caixinhas de DVD em que House M.D. é vendido (as caixas de papelão em que são vendidas as temporadas individuais de Seinfeld também são uma piada).

Procurei pela matéria na Folha, citada pelo Marelo, mas não encontrei lhufas. Resolvi fuçar mais: não dá pra ficar quieto diante de novidade como essa. No blog do Sérgio Dávila, encontrei exatamente o que eu procurava: alguma informação, mesmo que pouca - confirmada a existência do artefacto (aqui merece, sim, um c intrometido). Não pretendo reproduzir o pouco que o Dávila escreveu, encontra-se as informações nos catálogos das grandes lojas eletrônicas como a Amazon, Barnes and Noble, etc.. Por outro lado, escrever post pequeno não é muito minha praia (e lá vou eu, contando estorinha) e resolvi concentrar mais info.

‘Vambora. Fotos, do produto, só encontrei num lugar. Dá pra ter uma boa idéia do visual, pra sonhar em ter na prateleira (sim, eu sou daquelas pessoas que ficam namorando alguma coisa, imaginando onde colocar, quando usar, etc etc.): Todos os 32 DVDs - exatamente os mesmos que vêm nas caixas que já estão à venda, com as temporadas separadas - vêm acondicionados em duas caixas de CDs (cases, na verdade) cujas capas são de couro; o atrativo maior é um coffee table book (pra quem não lembra ou não tem a referência, assista o episódio 10 da quinta temporada: The Cigar Store Indian), um livro de 224 páginas encadernado em couro repleto de fotos, citações e curiosidades de cada um dos 180 episódios. E não é só isso!, o que se pretende ter como principal material extra é um DVD que vem dentro do livro, apresentando uma reunião do elenco (Jerry Seinfeld, Julia Louis-Dreyfus, Jason Alexander e Michael Richards) com Larry David - co-criador da série, com Jerry Seinfeld (e inspiração para o personagem George Costanza).

Coffee Table Book

Como não sou jornalista, não me prendo às maneiras existentes de apresentar determinado conteúdo, ou seja, vou inverter completamente o post pra falar um pouco sobre o que é considerado por muitos “o melhor sitcom de todos os tempos”. Conheci o sitcom por acaso, há muitos anos, mais de 10. Deixava a TV ligada à espera de (podem rir) Batman: The Animated Series. Em algum momento passei a assistir e a identificar-me (ou será que me modifiquei por causa da série? Na-na, não queira aprender).

Antes, uma opinião minha: é possível se entender muito sobre como viver assistindo a O Poderoso Chefão,  O Poderoso Chefão 2 e Seinfeld. (depois volto à parte que diz respeito à Seinfeld)

Seinfeld foi vendido durante muito tempo - ainda é - como sendo uma série sobre o nada; tal idéia não é exatamente absurda, porque as situações são desenvolvidas a partir das pequenas coisas que cada personagem faz: esperar por uma mesa no restaurante chinês (o episódio inteiro é uma grande espera, mesmo), precisar de ajuda no banheiro público porque acabou o papel higiênico, perder o carro no estacionamento do shopping, não conseguir dizer aquela verdade incômoda pra namorada, ser obrigado a cumprimentar com beijinhos (ou mesmo cumprimentar, de verdade, não só com o bom e velho meneio de cabeça), esquecer o nome da garota com quem se pretende ficar (ou com quem se está, acontece também, vi isso acontecer semana passada), etc. e tal. Situação do cotidiano é o que não falta e, exatamente por isso é fácil comprar o discurso de que a série é sobre nada; se te perguntam o que você fez hoje, provavelmente você vai omitir que foi à lavanderia ou saiu pra comprar frutas.

O seriado é considerado pós-moderno (obrigado, Wikipedia, por espalhar informação), em que os personagens são egoístas e apresentam diferentes sensos de moral; o pós-modernismo provavelmente é resultado da regra imposta por Larry David: “sem abraços, sem aprendizado.” Não que haja algo de errado com isso.

Foram 9 temporadas no ar, demonstrando todo tipo de comportamento e tirada sarcástica. Anti-semitismo, homossexualismo, masturbação: ampla gama de assuntos delicados foi alvo de piada, num horário que exige restrições. 9 temporadas concorrendo à Emmys, quebrando recordes: primeira sitcom a render um milhão de verdinhas por episódio ao protagonista, maior arrecadação em publicidade (ficou com este recorde por 6 anos, até a última temporada de Friends, em 2004), maior cachê recusado na história (5 milhões de verdinhas, acreditam?) e… pronto, é suficiente. Seinfeld é um dos poucos motivos que eu tenho pra dizer que a década de 90 existiu. Não sei se existe alguma outra série na história que acabou sem declínio de público: 76 milhões de pessoas assistiram ao episódio final. Seinfeld parou por cima,independente das opiniões contrárias sobre o último episódio - controverso, mesmo. Aliás, rolou até uma conversa esquisita na entrevista que o Seinfeld deu pro Larry King. Bizarro.

E deixa eu parar por aqui porque eu não sou o rei do pedaço…

Moleskine, O caderno. Novembro 2, 2007

Posted by McFly in anotações, rascunhar.
Tags: , , , , , , , , ,
6 comments

Tenho conversado com o Gabriel ultimamente, jogamos bafo com blogs e assuntos correlatos. Temos um acordo muito bem definido: ele tenta me ensinar algo e eu teimo em não aprender (de vez em quando eu violo essa regra e aprendo em passos de elefantinho). Numa dessas conversas ele me passou o link de um dos blogs do Alessandro Martins (em parceria com a Ideal Case), prum tópico em que ele afirmava ter quadruplicado, em quarenta e cinco dias, o acesso ao seu blog sobre livros - bom momento pra dizer que eu quadrupliquei o número de acessos aqui também: de 2 (dois) pra 8 (oito)!

Enfim, lá se foi um parágrafo só pra que eu chegasse ao tópico que o Alessandro escreveu sobre desenhos em moleskines.

“Ei, mas que diabos é um moleskine???” você pode muito bem se perguntar. Sem crise, foi minha primeira reação, seguida por um “como assim, eu nunca soube disso???”

Moleskines são cadernos, simples assim. Ou quase. Esses cadernos ganharam uma aura especial, principalmente na Europa; dizem que ele foi usado por diversos artistas: Van Gogh, Picasso, Hemingway, Neil Gaiman, etc.. É possível que muitas outras pessoas importantes (ou interessantes) tenham usado esse tipo de caderno, mas só encontrei dados reais sobre o moleskine do Gaiman e os moleskines do Van Gogh - cuja referência não encontro, só achei moleskines inspirados na obra do pintor (dentre as personalidades que usaram um, sou obrigado a citar o Dr. Henry Jones e seu filho, vulgarmente conhecido como Indiana).

Os caras podem ter dado usos diversos pra essas pequenas maravilhas mas, em geral, ele sempre foi tido como um bloco de anotações de idéias, uma espécie de diário ou, como o próprio senhor Jones explicou ao filho, após outra homérica discussão (essa, acerca da memória do pai): -”Ora, eu anotei exatamente pra não precisar me lembrar.”

Moleskine do Dr. Jones

Mais que um caderno, um bloco de anotações, ele tem se tornado cada vez mais uma plataforma, o repositório final de alguma forma de arte qualquer.Isso fica evidente quando se dá uma volta pelo blog Moleskine project, já indicado pelo próprio Alessandro Martins. Os moleskines tanto viraram plataforma que hoje é possível comprar moleskines próprios para aquarela (achei um link interessante sobre desenhos e rascunhos). Não é o único tipo existente, o catálogo é grande e dividido em categorias:

  • (a) Caderninhos de bolso, que podem ser carregados com a maior facilidade do mundo. A variedade destes caderninhos é impressionante: tem caderno pra jornalista, pra desenhista montando storyboard, com pauta pra música, entre outros mais simples;
  • (b) Agendas, de diversos tipos;
  • (c) Cadernos, que têm uma capa mais dura e são vendidos sem pauta, com pauta ou quadriculados;
  • (d) Série “museus”, hoje limitada pela série de moleskines criados em homenagem à Van Gogh;
  • (e) Série de cadernos da cidade, que cresce continuamente. Existem versões deste caderno pra algumas poucas cidades, em geral da Europa ou dos Estados Unidos. Estes cadernos têm um mapa geral da cidade, que serve de guia principal pros outros mapas, como por exemplo o mapa do sistema de metrô e as estações existentes ou os mapas de zonas, em diferentes escalas e que podem chegar a 36 (trinta e seis) dependendo da cidade. Além dos mapas, estes cadernos têm páginas em branco pra anotações gerais, páginas em arquivo pra anotações importantíssimas, páginas removíveis e, pasmem!, páginas translúcidas removíveis, pra serem usadas sobre o mapa e, assim, servirem de migalhas de João e Maria pra você. Fugindo um pouco dos cadernos da cidade, encontrei essa página sensacional, um quase blog, um diário de viagem de alguém (não procurei saber quem) que viajou às Bahamas e teve como uma de suas grandes diversões anotar tudo que deu na telha. O resultado é este, delicioso (Preciso deixar registrado que existe um blog sobre cidades e as experiências geradas por cada uma, o moleskinecity.com, muito interessante com boas dicas pra quem quer viajar mundo afora).

Diferentes tipos de moleskine

Ou seja: tem moleskine pra tudo que é gosto. O problema em comprar um moleskine aqui na terra brasilis é o preço (tudo bem, também não é nada fácil encontrar o danado). Eu, particularmente, tenho problemas em fazer compras na internet porque eu costumo me ligar muito mais fortemente a algum objeto qualquer quando o pego. Se isso não acontece, o ato de comprar fica frio e aí eu consigo me segurar e racionalizar: é melhor comprar no Mercado Livre, pagando de 4 (quatro) a 10 (dez) vezes o valor do produto na Amazon? Um dos lugares em que encontrei moleskines - e me neguei a comprar, achei caríssimo, felizmente não estive lá, não peguei nenhum - foi na Livraria da Vila.

Uma alternativa à compra, citada pelo próprio Alessandro, é fazer seu próprio caderno-tipo Moleskine, com receita de Michael Shannon. Eu não tenho habilidade pra fazer  esse tipo de coisa e nem tenho como garantir que é mais interessante montar o seu que comprar o lance real (mas é uma excelente atividade pra uma aula de educação artística, não?).

Finalizando este post, pra quem não entrou no link do blog do Gaiman, cito explicitamente o que ele fala sobre seu moleskine: -”O caderno Moleskine (eu comprei em Veneza) já é uma de meus pertences favoritos (apesar de venderem-no agora como o “caderno de anotações de Bruce Chatwin!” o que parece, a meu ver, de um enorme mau gosto, apesar de eu ficar numa posição esquisita pra lhes dizer porque penso assim.) Tem o tamanho correto. Tem o peso certo, um elástico pra mantê-lo fechado, um bolso pra guardar listas, e assim por diante.”

Em tempo e pra constar: tem quem compare os moleskine à um tal de Rhodia, que eu ainda não procurei por. Se alguém escrever sobre, manda o link.

Ah, perdão! Uma traquinagem final, traduzida do moleskinerie; você saberia qual a forma correta de desembrulhar seu moleskine?

1- Desembrulhe da embalagem plástica;

2- Tire a aba de papel da capa;

3- Enfie cartões postais e selos no bolso apropriado;

4- Tire o panfleto que conta a história dos cadernos moleskine e reflita sobre o quão sortudo você é por usar tal símbolo;

5- Abra o caderno em alguma página próxima ao centro;

6- Enfie seu nariz o máximo possível entre as páginas, chegando o máximo possível do dorso do livro (pelo lado oposto!);

7- Inale profundamente;

8- Repita o item 7- até estar totalmente tomado por uma sensação de bem estar.

(o ritual é muito parecido com aquele que faço ao ter em mãos um novo livro)

Por fim (mesmo), fica aí um típico moleskine, utilizado por um artista quase qualquer. Outros exemplares são encontrados no youtube e informações adicionais podem ser encontradas no site do projeto detour.

Anjos e Demônios: os fundamentos físicos! Outubro 29, 2007

Posted by McFly in livro.
Tags: , , , , ,
add a comment

CERN - Organização Européia para Pesquisas NuclearesCERN - Organização Européia para Pesquisas Nucleares

Acompanhando o Gabriel fiquei sabendo das notícias do filme Anjos e Demônios. Não tenho a menor pretensão de fingir ser isento e, por isso mesmo, que não disse que fiquei sabendo das boas novas, como seria costume. Não faço questão de ler a obra de Dan Brown e, portanto, convido quem tiver dicas a respeito a citá-las. Nos foquemos em Anjos e Demônios.

Conversei com alguém, depois de ver as notícias no Gabiru 2.0, pra saber se não era esse o livro do Dan Brown que citava o CERN, a Organização Européia para Pesquisas Nucleares (originalmente eles eram um conselho, Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire - por isso CERN -, mas isso foi provisório, era o nome do conselho que preparava o laboratório). Em tempo: de europeu o CERN só tem a localização: fica na fronteira entre a França e a Suíça e é o maior laboratório de física de partículas elementares do mundo, tendo ultrapassado a barreira da física nuclear há algumas décadas e lar de cientistas que estão colaborando com instituições do mundo inteiro.

Voltando ao ponto, me falaram que não é em Anjos e Demônios que se fala em CERN. Resolvi verificar, pra ter certeza, e bingo! Isso dá um pousté! Pois bem, eu já tinha feito uma busca sobre o tema há algum tempo, por causa de uma pergunta que me fizeram sobre o livro (até então eu nem sabia da existência do livro, e já vieram me perguntando de bombas e sobre o fim do mundo…) e acabei chegando a um FAQ do CERN, baseado em perguntas feitas por leitores do livro Anjos e Demônios. Não tem muito mais o que dizer; a menos que alguém queira discutir o tema, uma tradução, sei lá (eu gosto de pensar que sou físico de partículas, ta?).

Pra não terminar precocemente o post, deixo um link de ambigramas, pra imagem que encontrei no FAQ do CERN. Se você visitar a página linkada e clicar e rodar as figuras, poderá ver as imagens em posições diferentes e visualizar cada uma das imagens produzidas pelo John Langdon.

Por fim, uma curiosidade: a world wide web foi desenvolvida no CERN, pra atender às necessidades de trocas de informações dos cientistas da casa. Façam sua lição de casa, meninos e meninas.

Ambigrama de Anjos e Demônios, feito por John Langdon

Ambigrama de Anjos e Demônios, feito por John Langdon

(não era pra eu usar livros como fio condutor de curiosidades…)

Vimeo agora em HD! Outubro 28, 2007

Posted by McFly in vídeo.
Tags: , , , ,
2 comments

Sei que o Gabriel e o Calebe Aires já falaram sobre o Vimeo. Eu não assino muitos feeds porque acabei de chegar na blogosfera e não tenho claro ainda o que e como fazer, mas o fato é que o texto do Gabriel, que conheço bem, veio pra complementar o texto do Calebe.

Fiquei sabendo essa noite, pelo Will (a quem apresentei o Vimeo), que agora o site tem um canal pra vídeos em alta-definição, com vídeos em resolução de 1280 x 720 ou, em linguagem dos entendidos em HDTV, 720p.

 Comparativo de imagens Vimeo x TV analógica x Youtube 

 A resolução realmente é maravilhosa. Pra quem não tá acostumado com internet e afins e já ta pensando em HDTV, fique sabendo: você provavelmente consegue assistir os vídeos em HD sem problemas. Os pré-requisitos básicos são (a) que seu computador seja relativamente novo (tenha cerca de dois anos), (b) que você tenha o Flash instalado (o mesmo plugin necessário pra assistir coisas do Youtube) e (c) que sua internet seja veloz o suficiente. Não fiz testes, mas acho que qualquer internet rápida deve dar conta do recado (se alguém verificar o contrário, faz favor, me contraria).

Em tempo: a possibilidade de colocar vídeos em HD obrigou uma inflação na cota de uploads: de 250 MB pra 500 MB! Por causa disso pode ser que seja necessária uma assinatura de algum tipo, pro próximo ano. Nem tudo é perfeito, ceuto?

Como exemplo de vídeo, deixo aqui o Office Of The Living Dead HD, em homenagem à Patetolina e sua adorada Zombie Walk, que acontece em São Paulo dia 02 de novembro. Deixo também essa propaganda fake de Gatorade. Tem mais coisa interessante lá, como este necessário - necessário mesmo - Lip Dub da Rihanna feito por estudantes de Singapura.  Notem que eu não embebi os vídeos aqui e já me justifico: eles perderiam qualidade e precisam, precisam ser assistidos em HD.

(Gabriel do céu, bem que o Lip Dub do Flagpole Sitta - que você postou - podia ser em HD, né não?)