Tenho conversado com o Gabriel ultimamente, jogamos bafo com blogs e assuntos correlatos. Temos um acordo muito bem definido: ele tenta me ensinar algo e eu teimo em não aprender (de vez em quando eu violo essa regra e aprendo em passos de elefantinho). Numa dessas conversas ele me passou o link de um dos blogs do Alessandro Martins (em parceria com a Ideal Case), prum tópico em que ele afirmava ter quadruplicado, em quarenta e cinco dias, o acesso ao seu blog sobre livros – bom momento pra dizer que eu quadrupliquei o número de acessos aqui também: de 2 (dois) pra 8 (oito)!

Enfim, lá se foi um parágrafo só pra que eu chegasse ao tópico que o Alessandro escreveu sobre desenhos em moleskines.

“Ei, mas que diabos é um moleskine???” você pode muito bem se perguntar. Sem crise, foi minha primeira reação, seguida por um “como assim, eu nunca soube disso???” 

meu moleskine

Meu moleskine de bolso, o HTC e a paliseira: fácil de carregar

 Moleskines são cadernos, simples assim. Ou quase. Esses cadernos ganharam uma aura especial, principalmente na Europa; dizem que ele foi usado por diversos artistas: Van Gogh, Picasso, Hemingway, Neil Gaiman, etc.. É possível que muitas outras pessoas importantes (ou interessantes) tenham usado esse tipo de caderno, mas só encontrei dados reais sobre o moleskine do Gaiman e os moleskines do Van Gogh – cuja referência não encontro, só achei moleskines inspirados na obra do pintor (dentre as personalidades que usaram um, sou obrigado a citar o Dr. Henry Jones e seu filho, vulgarmente conhecido como Indiana).

Os caras podem ter dado usos diversos pra essas pequenas maravilhas mas, em geral, ele sempre foi tido como um bloco de anotações de idéias, uma espécie de diário ou, como o próprio senhor Jones explicou ao filho, após outra homérica discussão (essa, acerca da memória do pai): -”Ora, eu anotei exatamente pra não precisar me lembrar.”

Moleskine do Dr. Jones

Mais que um caderno, um bloco de anotações, ele tem se tornado cada vez mais uma plataforma, o repositório final de alguma forma de arte qualquer.Isso fica evidente quando se dá uma volta pelo blog Moleskine project, já indicado pelo próprio Alessandro Martins. Os moleskines tanto viraram plataforma que hoje é possível comprar moleskines próprios para aquarela (achei um link interessante sobre desenhos e rascunhos). Não é o único tipo existente, o catálogo é grande e dividido em categorias:

  • (a) Caderninhos de bolso, que podem ser carregados com a maior facilidade do mundo. A variedade destes caderninhos é impressionante: tem caderno pra jornalista, pra desenhista montando storyboard, com pauta pra música, entre outros mais simples;
  • (b) Agendas, de diversos tipos;
  • (c) Cadernos, que têm uma capa mais dura e são vendidos sem pauta, com pauta ou quadriculados;
  • (d) Série “museus”, hoje limitada pela série de moleskines criados em homenagem à Van Gogh;
  • (e) Série de cadernos da cidade, que cresce continuamente. Existem versões deste caderno pra algumas poucas cidades, em geral da Europa ou dos Estados Unidos. Estes cadernos têm um mapa geral da cidade, que serve de guia principal pros outros mapas, como por exemplo o mapa do sistema de metrô e as estações existentes ou os mapas de zonas, em diferentes escalas e que podem chegar a 36 (trinta e seis) dependendo da cidade. Além dos mapas, estes cadernos têm páginas em branco pra anotações gerais, páginas em arquivo pra anotações importantíssimas, páginas removíveis e, pasmem!, páginas translúcidas removíveis, pra serem usadas sobre o mapa e, assim, servirem de migalhas de João e Maria pra você. Fugindo um pouco dos cadernos da cidade, encontrei essa página sensacional, um quase blog, um diário de viagem de alguém (não procurei saber quem) que viajou às Bahamas e teve como uma de suas grandes diversões anotar tudo que deu na telha. O resultado é este, delicioso (Preciso deixar registrado que existe um blog sobre cidades e as experiências geradas por cada uma, o moleskinecity.com, muito interessante com boas dicas pra quem quer viajar mundo afora).

Diferentes tipos de moleskine

Ou seja: tem moleskine pra tudo que é gosto. O problema em comprar um moleskine aqui na terra brasilis é o preço (tudo bem, também não é nada fácil encontrar o danado). Eu, particularmente, tenho problemas em fazer compras na internet porque eu costumo me ligar muito mais fortemente a algum objeto qualquer quando o pego. Se isso não acontece, o ato de comprar fica frio e aí eu consigo me segurar e racionalizar: é melhor comprar no Mercado Livre, pagando de 4 (quatro) a 10 (dez) vezes o valor do produto na Amazon? Um dos lugares em que encontrei moleskines – e me neguei a comprar, achei caríssimo, felizmente não estive lá, não peguei nenhum – foi na Livraria da Vila.

Uma alternativa à compra, citada pelo próprio Alessandro, é fazer seu próprio caderno-tipo Moleskine, com receita de Michael Shannon. Eu não tenho habilidade pra fazer  esse tipo de coisa e nem tenho como garantir que é mais interessante montar o seu que comprar o lance real (mas é uma excelente atividade pra uma aula de educação artística, não?).

Finalizando este post, pra quem não entrou no link do blog do Gaiman, cito explicitamente o que ele fala sobre seu moleskine: -”O caderno Moleskine (eu comprei em Veneza) já é uma de meus pertences favoritos (apesar de venderem-no agora como o “caderno de anotações de Bruce Chatwin!” o que parece, a meu ver, de um enorme mau gosto, apesar de eu ficar numa posição esquisita pra lhes dizer porque penso assim.) Tem o tamanho correto. Tem o peso certo, um elástico pra mantê-lo fechado, um bolso pra guardar listas, e assim por diante.”

Em tempo e pra constar: tem quem compare os moleskine à um tal de Rhodia, que eu ainda não procurei por. Se alguém escrever sobre, manda o link.

Ah, perdão! Uma traquinagem final, traduzida do moleskinerie; você saberia qual a forma correta de desembrulhar seu moleskine?

1- Desembrulhe da embalagem plástica;

2- Tire a aba de papel da capa;

3- Enfie cartões postais e selos no bolso apropriado;

4- Tire o panfleto que conta a história dos cadernos moleskine e reflita sobre o quão sortudo você é por usar tal símbolo;

5- Abra o caderno em alguma página próxima ao centro;

6- Enfie seu nariz o máximo possível entre as páginas, chegando o máximo possível do dorso do livro (pelo lado oposto!);

7- Inale profundamente;

8- Repita o item 7- até estar totalmente tomado por uma sensação de bem estar.

(o ritual é muito parecido com aquele que faço ao ter em mãos um novo livro)

Por fim (mesmo), fica aí um típico moleskine, utilizado por um artista quase qualquer. Outros exemplares são encontrados no youtube e informações adicionais podem ser encontradas no site do projeto detour.