Seinfeld: a série completa em novo box

O Marelo, grande amigo, me chamou de canto, ontem: – “Cara, cê ta sabendo da caixa nova de Seinfeld, que tão vendendo só pela Amazon, que tem material extra?” Fiquei com raiva, eu não sabia. Antes fosse a raiva só porque não sabia do novo material; passei a última semana enfurnado, trabalhando, não pude ver nada e quanto a isso não há o que fazer. Meu problema é bem outro: demorei a beça pra começar a comprar as caixas e, agora que chego à sexta temporada, descubro que existe algo novo e super legal? Essa mania que os vendedores, marketeiros, produtores, têm de criar a edição simples, depois a de colecionador, a de apaixonado, aficionado, amante e, por fim, a definitiva… ah, isso não tá certo. Eu entendo as necessidades do mercado mas e daí?, dane-se, me sinto desrespeitado. Aliás, descobri que tem mais gente que se sente exatamente como eu, bem aqui.

Desabafos à parte, digo sem remorso ou desgosto que me sinto menos desrespeitado por uma boa nova como essa do que pelas legendas em português ou as caixinhas de DVD em que House M.D. é vendido (as caixas de papelão em que são vendidas as temporadas individuais de Seinfeld também são uma piada).

Procurei pela matéria na Folha, citada pelo Marelo, mas não encontrei lhufas. Resolvi fuçar mais: não dá pra ficar quieto diante de novidade como essa. No blog do Sérgio Dávila, encontrei exatamente o que eu procurava: alguma informação, mesmo que pouca – confirmada a existência do artefacto (aqui merece, sim, um c intrometido). Não pretendo reproduzir o pouco que o Dávila escreveu, encontra-se as informações nos catálogos das grandes lojas eletrônicas como a Amazon, Barnes and Noble, etc.. Por outro lado, escrever post pequeno não é muito minha praia (e lá vou eu, contando estorinha) e resolvi concentrar mais info.

‘Vambora. Fotos, do produto, só encontrei num lugar. Dá pra ter uma boa idéia do visual, pra sonhar em ter na prateleira (sim, eu sou daquelas pessoas que ficam namorando alguma coisa, imaginando onde colocar, quando usar, etc etc.): Todos os 32 DVDs – exatamente os mesmos que vêm nas caixas que já estão à venda, com as temporadas separadas – vêm acondicionados em duas caixas de CDs (cases, na verdade) cujas capas são de couro; o atrativo maior é um coffee table book (pra quem não lembra ou não tem a referência, assista o episódio 10 da quinta temporada: The Cigar Store Indian), um livro de 224 páginas encadernado em couro repleto de fotos, citações e curiosidades de cada um dos 180 episódios. E não é só isso!, o que se pretende ter como principal material extra é um DVD que vem dentro do livro, apresentando uma reunião do elenco (Jerry Seinfeld, Julia Louis-Dreyfus, Jason Alexander e Michael Richards) com Larry David – co-criador da série, com Jerry Seinfeld (e inspiração para o personagem George Costanza).

Coffee Table Book

Como não sou jornalista, não me prendo às maneiras existentes de apresentar determinado conteúdo, ou seja, vou inverter completamente o post pra falar um pouco sobre o que é considerado por muitos “o melhor sitcom de todos os tempos”. Conheci o sitcom por acaso, há muitos anos, mais de 10. Deixava a TV ligada à espera de (podem rir) Batman: The Animated Series. Em algum momento passei a assistir e a identificar-me (ou será que me modifiquei por causa da série? Na-na, não queira aprender).

Antes, uma opinião minha: é possível se entender muito sobre como viver assistindo a O Poderoso Chefão,  O Poderoso Chefão 2 e Seinfeld. (depois volto à parte que diz respeito à Seinfeld)

Seinfeld foi vendido durante muito tempo – ainda é – como sendo uma série sobre o nada; tal idéia não é exatamente absurda, porque as situações são desenvolvidas a partir das pequenas coisas que cada personagem faz: esperar por uma mesa no restaurante chinês (o episódio inteiro é uma grande espera, mesmo), precisar de ajuda no banheiro público porque acabou o papel higiênico, perder o carro no estacionamento do shopping, não conseguir dizer aquela verdade incômoda pra namorada, ser obrigado a cumprimentar com beijinhos (ou mesmo cumprimentar, de verdade, não só com o bom e velho meneio de cabeça), esquecer o nome da garota com quem se pretende ficar (ou com quem se está, acontece também, vi isso acontecer semana passada), etc. e tal. Situação do cotidiano é o que não falta e, exatamente por isso é fácil comprar o discurso de que a série é sobre nada; se te perguntam o que você fez hoje, provavelmente você vai omitir que foi à lavanderia ou saiu pra comprar frutas.

O seriado é considerado pós-moderno (obrigado, Wikipedia, por espalhar informação), em que os personagens são egoístas e apresentam diferentes sensos de moral; o pós-modernismo provavelmente é resultado da regra imposta por Larry David: “sem abraços, sem aprendizado.” Não que haja algo de errado com isso.

Foram 9 temporadas no ar, demonstrando todo tipo de comportamento e tirada sarcástica. Anti-semitismo, homossexualismo, masturbação: ampla gama de assuntos delicados foi alvo de piada, num horário que exige restrições. 9 temporadas concorrendo à Emmys, quebrando recordes: primeira sitcom a render um milhão de verdinhas por episódio ao protagonista, maior arrecadação em publicidade (ficou com este recorde por 6 anos, até a última temporada de Friends, em 2004), maior cachê recusado na história (5 milhões de verdinhas, acreditam?) e… pronto, é suficiente. Seinfeld é um dos poucos motivos que eu tenho pra dizer que a década de 90 existiu. Não sei se existe alguma outra série na história que acabou sem declínio de público: 76 milhões de pessoas assistiram ao episódio final. Seinfeld parou por cima,independente das opiniões contrárias sobre o último episódio – controverso, mesmo. Aliás, rolou até uma conversa esquisita na entrevista que o Seinfeld deu pro Larry King. Bizarro.

E deixa eu parar por aqui porque eu não sou o rei do pedaço…

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One Response to “Seinfeld: a série completa em novo box”
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  1. […] político, não? – ou, melhor dizendo, a corrente pós-moderna, há pouquíssimo tempo, enquanto escrevia sobre Seinfeld. Não, não é bem essa a verdade: eu conheço o termo, pós-modernismo, há mais tempo, mas a […]



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