“Não priemos cânico…” – LHC e o fim do mundo

Nos últimos dias houve uma explosão de informações sobre o início das operações do LHC (Large Hadron Collider, conhecido em português-br como Large Hadron Collider, um enorme acelerador de partículasporque os físicos brasileiros não fazem muita questão de traduzir coisa alguma) e o fim do mundo. O assunto cria polêmica, atrai a atenção do público e, claro, vende jornais e anúncios. Divirto-me pensando que o âncora está ali, dentro de seu belo terno, a apresentar notícias sobre o fim do mundo, pensando nas contas a serem pagas ao final do mês. Reviravolta entre os homens. De novo.

Existe um artigo atual, razoavelmente abrangente, que não se preocupa demais em explicar muito, usando argumentos de autoridade; não seria um problema, pra mim, se fossem indicadas as fontes. Não importa, esta entrada será curta e grossa, um aperitivo para uma série que pretendo desenvolver. As notícias que ouvi na TV na noite de 09 de setembro fizeram com que me adiantasse (e muito), porque não havia me dado conta de que o LHC estava para iniciar atividades.

Buracos negros, dizem por aí: o LHC poderia produzir pequenos buracos negros que possivelmente engoliriam nosso planeta. É o que dizem por aí. Ainda estou lendo sobre, para informar com qualidade, mas o que encontrei até agora é que: (a) buracos negros pequenos poderiam ser produzidos, sim, no LHC se determinados modelos físicos fossem confirmados experimentalmente e (b) buracos negros  produzidos no LHC teriam vida muito curta e seriam incapazes de engolir nosso planeta.

Apesar de não ter explicado, peço que aceitem a premissa de que buracos negros produzidos no LHC não seriam capazes de engolir o planeta. Quanto aos modelos, saibam que os físicos competem – sim, a palavra é essa mesma – uns com os outros, usando e desenvolvendo modelos diferentes em suas tentativas de explicar ou, ao menos, descrever a natureza. O modelo que prevê buracos negros sendo criados no LHC não é único – existem outros modelos em que os buracos negros simplesmente não são produzidos no acelerador – e sequer foi testado. Em outras palavras, ainda é somente uma hipótese, não tendo sido comprovado em sua totalidade e, amigos, saibam: a física é uma ciência que depende de experimentação, de verificação. 

De ontem a hoje, apenas foram realizados alguns testes. Falei com um amigo que trabalha no Fermilab, um laboratório que realiza experimentos parecidos aos que acontecem no CERN e tudo que ele disse foi: -“Vimos os testes, aqui. Cara, aquilo foi rápido! Se alguém acreditasse que estávamos nós, grandes cientistas, de pijamas e apalermados…” – Os cientistas do Fermilab fizeram uma festa do pijama para acompanhar os testes, do outro lado do oceano, em outro fuso horário. 

Festa de Pijama do pessoal do Fermilab

Festa de Pijama do pessoal do Fermilab

Submeti o texto ao amigo cientista – praxe minha, pra não deixar a conversa fora de contexto – e ele pediu que colocasse ênfase no seguinte: -“Os eventos que serão produzidos pelo LHC acontecem na nossa atmosfera, naturalmente, por conta dos raios cósmicos. Só que no LHC os eventos ocorrerão de maneira controlada e em lugar conhecido.” 

Verdade. Houve um tempo em que estudar eventos com partículas elementares significava mandar balões para o alto da atmofesra ou chapas fotográficas em lugares elevados. Hoje, tudo acontece num anel de 27 km.

Voltarei ao CERN, LHC, raios cósmicos, etc. em futuro próximo, muito próximo.

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