Neil Gaiman lê seu novo livro: The Graveyard Book

Estava tentando entender melhor como funcionam os blogs, procurando formas de optimizar as informações que me alimentam. Dei de cara com o Bloglines (quem quiser saber mais sobre agregadores pode encontrar aqui), acho que por causa do Viigo que acabei de instalar em meu telefone. Não é muito importante e, claro, já me desviei do assunto premente.

Mexendo lá e cá no Bloglines, descobri o Boing Boing, um blog recheado de informações sobre tudo. Deparei-me, despreocupadamente, com uma suculenta surpresa: uma postagem sobre o livro novo de Neil Gaiman, The Graveyard Book (acabo de descobrir que tem matérias sobre o livro na Gaveta do Autor e no Gusvato – que é, em verdade, do Gus e da Van -; há outros links, ainda, mas deixo só esses). Não falarei muito do livro; algumas poucas linhas, gerais, já estão nos blogs indicados.

Possivel capa da edição para leitores jovens, com arte de Chriss Darrel

Possível capa da edição para leitores jovens, com arte de Chriss Darrel

Pois eu comecei este pousté porque, além de receber as novas sobre o lançamento do livro, que rolou em 30 de setembro último, fiquei sabendo pelo Boing Boing que o Mr. Gaiman, em turnê de lançamento do livro pelos Estados Unidos, fizera leituras públicas do livro: uma cidade, um capítulo – e isso eu acho que vale muito a pena repetir e propagar -. E, como revelou em seu próprio journal (acabei de assinar os feeds), serão publicados, em seu site para leitores jovens, os vídeos gravados das sessões de leitura. Particularmente, sempre tenho essa curiosidade: ouvir o autor ou alguém que saiba fazer uma leitura; dá gosto. Isso começou há tempos, quando arrisquei-me a ler um e outro poema, sem saber muito bem como fazê-lo. Claro, uma narrativa demanda outra pegada, talvez mais casual, mas convenhamos: não é todo dia que se pode ouvir um autor lendo o próprio livro. Bom, mentira minha, o próprio Gaiman costuma gravar seus audiobooks, tão comuns no exterior (na Amazon tem várias obras dele, por ele narradas; não procurei por outros autores. Se audiobooks são pra preguiçosos ou cegos, não farei qualquer discussão, deixo as brincadeiras de Seinfeld em episódio em que George, ignorante e preguiçoso, recorre aos audiobooks pra preparar um seminário porque “ler cansa, me dá um sono!”

Brincadeiras à parte, seria uma boa saber se audiobooks estão sujeitos às mesmas leis de importação a que os livros estão. O fato é que os vídeos estão lá, de graça.

Algo mais que encontrei sobre o livro: edições diferentes. Não sei quais critérios os gringos – americanos, franceses, ingleses, não sei quem mais – usam pra determinar se um livro deve ou não ter diferentes edições ao mesmo tempo. Conversei com Ari, o livreiro, pra saber o que norteia o lançamento de edições diferentes de um mesmo livro aqui no Brasil. Ele me disse que existem pouquíssimos livros que têm diferentes edições lançadas aqui simultaneamente; disse também que isso normalmente acontece quando o livro já faz parte do cânone, como Casa Grande & Senzala que até em quadrinhos já foi lançado, ou com best-sellers consagrados mundialmente, como é o caso de O Código Da Vinci, de Dan Brown ou O Senhor dos Anéis, de Tolkien. (Pelo que vi os portugueses passam pelos mesmos aborrecimentos, que nós. Eu acrescentaria à postagem no Stranger in a Strange Land que, tendo participado de alguns eventos de livros, fiquei com a nítida sensação de que os brasileiros querem comprar livros pra colocar na estante, e não pra ler. Outro dia volto a isso.) Voltando ao The Graveyard Book, pode-se verificar na Amazon do Reino Unido que ele já foi lançado em pelo menos três edições diferentes: são duas edições em capa dura, voltadas para públicos diferentes e uma edição em capa mole. As edições em capa dura se diferenciam, até onde eu saiba, pelos desenhos que podem ser encontrados no interior do livro; enquanto os leitores mais maduros têm a oportunidade de ver a arte de Dave McKean, antigo colaborador e amigo de Gaiman, os leitores mais jovens podem se refestelar com a arte de Chris Riddell. Tudo idéia de Sarah, a separação dos públicos, como contado pelo próprio Gaiman. (Amostras da arte de ambos podem ser vistas aqui.) Entende-se fácil: o público jovem, que foi praticamente engolido pelos adultos, não tem mais a garantia de um novo Harry Potter.

Arte de Dave Mckean para capa de The Graveyard Book

Arte de Dave Mckean para capa de The Graveyard Book

Até poderia dizer que Sarah é uma visionária, mas é fato que Gaiman tem seu público adulto cativo, depois de 75 edições de Sandman, série de quadrinhos mainstream lançada nos EUA em 1986 (e que acaba de ser relançado no Brasil, como noticiado no V Oitão). Depois disso, Gaiman ainda escreveu a mini-série em quadrinhos Livros de Magia (se alguém souber onde comprar por aqui, me avisa!), co-escreveu, com Terry Pratchett, Belas Maldições; depois disso foram vários títulos em quadrinhos e livros lançados, sem falar na adaptação do roteiro de A Lenda de Beowulf,  a criação do conto de fadas Stardust, que virou filme e… a lista é longa.

O fato é que Gaiman é bom no que faz. A escolha nas ações de relações públicas foi ótima e combina muito bem com ele, sempre simpaticíssimo; e falo com alguma experiência de causa, já que fui um dos muitos agraciados com um autógrafo, aperto de mão e dedicatória, quando lançou Caçadores de Sonhos, na Fnac. Por aqui, ele é recordista em dar autógrafos. Quer outras pistas da simpatia do rapaz? Vejam seu journal, pelo que vi tem um bocado de interação dele com seus leitores; e vejam também como ele ajudou um garoto em seu pedido de casamento.

Chega. São muitos links, muita babação de ovo. Dêem suas opiniões, mudem as minhas.

Oh, sim: o livro já está em primeiro lugar na lista de livros infantis mais vendidos do New York Times.

Comments
4 Responses to “Neil Gaiman lê seu novo livro: The Graveyard Book”
  1. Gustavo Schwartz disse:

    Valeu da citação.
    E comecei com Gaiman lendo Deuses Americanos e não conhecia ele, pelo menos achava que não.
    Aí gostei e comecei a procurar outras coisas para ler dele, e descobri que ele havia escrito a série sobre a morte, que li a uns bons anos atrás. Eu até tinha as revistas.
    E hoje em dia eu devoro tudo que eu encontro do Gaiman, acho ele sensacional.
    E obrigado pela citação.
    Gostei do seu Blog.
    Abraço.

  2. Que luxo isso aqui. Bom, sou muito visual e a primeira impressão que tive de seu blog foi sobre a aparência dele. Adorei. Clean, neat, charming and yet attractive.
    Eu recebi a pouco tempo o livro Sandman: prelúdios e noturnos de Gaiman que ganhei do Fábio (una persona mui grata). Estou lendo, devagar, absorvendo o estilo, apreciando as impressões… Sou principiante, até bem pouco nem sabia da existência de Gaiman, mas nunca é tarde para descobrir o que já não é tão novo para muitos. É novo para mim! Oba!
    Fiquei muito bem informada lendo seu post. Obrigada.
    Quanto ao film Fight Club, vou procurar o seu post sobre o assunto. Daí eu comento.
    Tive uma visita ilutre no blog hj. Estou feliz. Volte sempre.
    Sue

  3. McFly disse:

    Suelen,
    ultimamente não estou escrevendo sozinho, apesar de (ainda) escrever mais que Giuli.
    Gaiman é ótimo, fui quase roubado de mim ao ler Prelúdios e Noturnos. Histórias, histórias. Ainda terás que encarar os outros seis irmãos – não neste tomo, pena – antes de encontrares figuras histórias as mais diversas. Nada conto, saboreia; fica com o gosto de “quero mais,” e, depois, nos conta tudo.

    Volto sim. E volta tu, também.

  4. Patrícia C. disse:

    Olá,
    Fiquei muito contente por receber sua visita e poder conhecer o Caducando (já está nos Favoritos) – quanta informação boa! Valiosa a dica sobre o Gaiman lendo a própria obra – dele conheço o Sandman (excelente) e Stardust.
    Um abração

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