Hipnose em Salvador, no Band Verão 2009

Já vi muita mágica nos meus anos de estrada: mágica com cartas, bengalas e moedas (aquelas que se espera que um mágico faça naquela festinha de aniversário); mágica com pedras, garrafas, clipes, telefones, cartões de visita (ou seja, que são feitas com objetos que estão na carteira de um amigo, no balcão do bar ou caídos no meio da rua); mega-ilusões, que podem ser classificadas em qualquer lugar entre levitar um pedaço de papel a fazer um prédio inteiro desaparecer.

Por pura mania de organização, costuma-se separar as mágicas em diferentes categorias, como por exemplo:

  • (a) Magia de palco, aquela que se costuma assistir num teatro;
  • (b) Grandes ilusões e mega-ilusões, quando o mágico pode fazer aparecer ou desaparecer uma pessoa, carro, ônibus, trem, prédio;
  • (c) Close up, mágicas feitas mano-a-mano, em que o mágico pode dar atenção especial a um pequeno grupo de pessoas ou a uma pessoa somente (isso significa que ele não precisa carregar um baralho enorme, como possivelmente faria num palco);
  • (d) Escapismo, categoria em que o mágico tem que se soltar ou safar de algum tipo de prisão ou restrição. O escapismo foi popularizado por Houdini e, hoje, é parte integrante das apresentações que envolvem grandes ilusões;
  • (e) Mentalismo, mágicas que acontecem principalmente na cabeça dos envolvidos;
  • (f) Beach magic, uma categoria mágica que pode envolver elementos das que já foram citadas (e de outras, mas esse pousté não é pra ficar falando de categorias mágicas…). 
mágico Ismael de Araujo aprontando!

Ismael em gravação de Beach Magic em Copacabana, executando uma variante do escapismo em loira

O fato é que as categorias mágicas não são excludentes, sendo perfeitamente possível conhecer bem (e executar!, claro) duas ou mais categorias sem prejuízos artísticos ou profissionais (o que não significa dizer que é uma baba dominar diferentes tipos de magia; como disse tantas vezes um professor que tive:  – “Tudo é difícil. Se você deseja se aprofundar, rapaz, será difícil.”)

(Tomei a liberdade de mudar um tanto as categorias que o Ismael separou em seu Manual da Mágica)

Band Verão - Salvador

Bruno! Dorme!

Estou fugindo ao tema, como sempre. Vinha escrevendo tudo isso pra falar, de novo, da gravação do quadro de mágica pro Band Verão 2009 e, especialmente nessa entrada, pra falar de algo que foi pro ar semana passada: hipnose!

-“Por favor!, qual a relação entre hipnose e mágica?” alguém poderia perguntar. A resposta que surge mais rapidamente está em The Myth of the Magus, de Elizabeth Butler: “[A] mágica, devemos lembrar, é uma arte que requer colaboração entre o artista e o público”.

Claro, pode-se argumentar que essa citação pode ser válida também para outros tipos de performance, mas não creio que seja tão verdadeira quanto no caso da mágica e da hipnose. Abusando das citações, lembro do que o engenheiro Cutter, em O Grande Truque (que filme!, que filme!), ensina à filha de Borden: -“O mágico pega o objeto comum e o transforma em algo extraordinário. Vocês estão procurando o segredo, mas não encontrarão… porque não estão realmente olhando… vocês não querem saber… vocês querem ser enganados.” 

Michael Caine como John Cutter, em O Grande Truque

Michael Caine como John Cutter, em O Grande Truque

 E querem mesmo, não há problema algum nisso. A graça do ilusionismo está exatamente em ver algo maravilhoso acontecendo, experimentar a fantasia. Claro, há quem fique procurando pêlo em ovo, sem perceber toda a diversão que está perdendo. Por mais que sejamos convidados a participar dos delírios apresentados em uma peça de teatro, um espetáculo circense, um show de rock, nenhuma outra arte performática carrega o espectador – independente do quão atento à realidade ele queira estar – quanto a mágica e a hipnose; em todos os casos é necessária boa vontade do espectador, pra topar o que lhe é proposto mas, no caso da hipnose e do ilusionismo, essa vontade é levada a limites: nestas artes a fantasia do espectador é parte mais que ativa da apresentação, ela é também matéria prima.

Essa relação entre mágica e hipnose, a matéria prima que ambas fornecem ao performer, foram determinantes pra inclusão de hipnose no quadro de beach magic do Ismael, no Band Verão 2009. “…e, sem mais, a tampa entra na garrafa! O meu coelhinho de estimação adivinha sua carta! O nome da sua namorada, a Maria Clara, agora é João!”

Band Verão - Salvador

(esq. pra dir.) Bruno - o namorado -, outro Bruno, Maria Clara (conhecida, ao menos por alguns minutos, como João), Raoni e Ismael

Mágico é assim: consegue juntar tudo numa coisa só.  

Comments
One Response to “Hipnose em Salvador, no Band Verão 2009”
  1. Kelzinha disse:

    TEW AMO BAND VERÃO. AMOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO O ANDRÉ VASTOS MUITOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

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