Teatro: onde possível!

O teatro é atividade que existe há mais de 2000 anos, muito mais, nos acompanhando desde os dias em que começamos a representar figuras nas paredes e contar estórias e histórias. É parte integrante de nossas vidas, quer seja quando ouvimos uma representação que nossos pais fazem de nosso livro preferido, quando crianças, quer seja na representação que fizemos ao explicar aquele trabalho escolar não entregue na data. Com o desenvolvimento de outros fazeres, como as artes performáticas e o cinema, definir o que é o teatro ficou mais e mais difícil.

Mas, convenhamos, porventura é necessário conhecer uma única definição para o fazer teatral? Sinceramente – e (depois penso nisso), provavelmente como uma norma geral –, acho muito mais importante o experimentar que o matutar: a observação, a vivência, provocam e conduzem o olhar.

Apesar dessa longa existência, há uma quantidade razoável de pessoas que acreditam em um possível fim do teatro, se houver enfrentamento com outras mídias, de maior alcance. O assunto em si me parece uma grande bobagem, como acreditar que o livro deixará de existir por causa da televisão ou mesmo de aparelhos como o Kindle ou o iPad. Parece que falei besteira, afinal o livro provavelmente deixará de existir como tal, verdade, mas sua essência permanecerá a mesma.

O teatro não tem sido experiência das mais populares, ultimamente; a televisão e o cinema rapidamente tornaram-se mídias de massa, porque podiam alcançar os mais distantes rincões, eram mídias industriais por natureza e não exibiam – ou exibem – um fazer artesanal do mesmo gênero que o teatro, que depende diretamente da presença de ao menos um ator, um agente. O costume atual da maioria, entretanto, tem dado excessivo valor ao ator: daí o fenômeno do teatro ser freqüentado principalmente por quem quer ver globais.

O que me lembra algo lido em livro que não resenhei (por uma série de acidentes de percurso), O Andar do Bêbado, sobre julgamentos baseados em primeiras impressões, na dependência que temos em termos uma referência – mesmo que ela não nos diga nada sobre a qualidade técnica de um produto –; esse era assunto sobre o qual gostaria de ter escrito há tempos, quando vi discussão sobre livros de Chico Buarque no fórum Meia Palavra, mas deixei pra depois (entre outras coisas porque um problema no servidor sumiu com a discussão que corria. Um dia volto a ela com mais calma): sabemos julgar um livro sem a capa, desconhecendo o nome do autor? Ou, no contexto deste, é possível existir um teatro sem atores famosos? Que alcance este teatro pode ter?

Pois que – hora de justificar este pousté – acho, sim, importante que o teatro chegue a todo canto, mesmo que em carpet shows. Há outras intenções e possibilidades, entretanto. Mesmo fugindo de políticas e afins, apoio a campanha Mais Teatro, Brasil que espera, através da coleta de assinaturas, dar entrada num projeto de lei que tornaria obrigatória a construção de centros de cultura em quaisquer cidades com mais de 25 mil habitantes. A criação de espaços pode não ser essencial pra montagem de espetáculos maravilhosos, mas a campanha por si só pode trazer à tona questões pra lá de interessantes.

Arte é fundamental.

(outras informações podem ser encontradas aqui)

E agora, para algo completamente diferente…
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