Lembrando que hq é cultura de massa e que humor é coisa séria [Leituras, teatro e bobagens] – 27/08/2010 a 02/09/2010

Pra essa semana, pouco escrevo. Andei a pesquisar sobre o Brás, pra entendê-lo; estamos a preparar algum tipo de intervenção que pretendemos fazer através de projetos de iluminação. Talvez conte um pouco de história por aqui, semana que vem, veremos.

Não pretendo falar de Shakespeare essa semana: a transposição de minhas anotações não está em cadência suficiente pra acompanhar essa produção de textos. Guardemos o assunto pra uma próxima entrada.

Uma vfriend minha, das bandas do twitter, a Ester (tweets protegidos, perdoe-me), andou a noticiar sobre a DC Comics e alguns componentes deste universo, entre eles John Constantine, Monstro do Pântano e Morte. Tais personagens possivelmente farão parte da corrente mainstream de estórias no universo DC; o exemplo que me vem mais fácil à mente é a participação de Morte, dos Perpétuos. Uma conseqüência que soa muito natural de tal processo é a banalização destes personagens – que são integrantes de um universo mais maduro dentro da DC – e mudanças em seus comportamentos e características, por exemplo, John Constantine parando de fumar (ah, a ditadura do politicamente correto…).

Um dos livros que estou lendo – com a devida calma, mais que necessária para tais volumes – é Apocalípticos e Integrados, de Umberto Eco. São discutidas elementos da cultura de massa, neste livro, e acabei por deparar-me com o seguinte trecho (p. 194, Editora Perspectiva, 6ª edição):

Daí a liberdade do romancista deslocar a atenção e a trama diretora de uma personagem para a outra. Bory qualifica de “centrífugo” esse tipo de romance (que multiplica o lugar, o tempo e a ação), e vê nele um exemplo característico do romance-folhetim, constrangido, por seu aparecimento escalonado no tempo, a renovar a atenção do leitor de semana, ou por dias a fio. Mas não se trata somente de uma adaptação natural da estrutura do romance às condições próprias de um gênero (já determinado por um tipo particular de publicação): as determinações do “mercado” vão mais longe. Como ainda observa Bory: “o êxito prolonga”. A germinação de episódios sucessivos deve-se às vontades do público, que não quer perder suas personagens. Estabelece-se uma dialética entre a procura de mercado e a estrutura do enredo, a tal ponto que o autor chega a transgredir certas exigências fundamentais da narrativa, que parecem, no entanto, sagradas para todo romance “de consumo”.

É possível identificar séries de livros e filmes e, claro, quadrinhos, que se encaixam perfeitamente ao que acabo de citar. Interessante pensar sobre: Sandman é uma das poucas séries norte-americanas – que não era mini, contava com muito mais que 12 edições – que contou com começo, meio e fim; outras obras circundaram a mesma árvore de personagens, sempre com uma mãozinha de Gaiman no processo. No Japão, por outro lado – e não saberia dizer o motivo, com precisão – séries consideradas importantes chegam a um fio e costumam ser desenvolvidas sob os olhos de um mesmo criador-artista, ao long de todo o período de sua publicação. Ou seja, por mais que Sandman (e Monstro do Pântano, Preacher, Constantine, entre outros) se aproxime do que é chamado midcult ou mesmo highbrow, há uma direção, uma finalidade para sua produção. Acostumemo-nos com as reviravoltas dos quadrinhos, caros saudosistas.

Um pouco de humor

No ambiente Windows, minha internet não tem funcionado bem. Isso não é uma piada. Escreveria agora um pouco sobre O Papa e a Bruxa, peça escrita por Dario Fo, humorista laureado com o Nobel de literatura, e encenada pelo grupo Parlapatões, mas fica pra próxima semana. Vale, entretanto, o lembrete de que no Espaço Parlapatões está acontecendo uma mostra com as peças do grupo Parlapatões (o próximo final de semana é o último da mostra) e, além disso, também está havendo apresentações do segundo festival do minuto. Pra acessar o Espaço Parlapatões, tem um link aí do lado.

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