Algo sobre Nosso Lar e Tropa de Elite 2 – – mais alguns filmes [Leituras e filmes – 10/09/2010 a 21/10/2010]

Nosso Lar e Tropa de Elite 2

Depois de semanas sem postar, um apanhado geral.

Não assisti a Nosso Lar. Deveria, pra falar sobre com alguma propriedade, mas queria deixar indicada a crítica de Inácio Araujo. Não porque concorde com ela no que diz respeito com relação à película – afinal, como disse, não assisti ao filme –, mas por dois outros motivos: primeiro, por conta da intolerância exibida em comentários e textos paralelos, escritos por tantas pessoas que se dizem evoluídas espiritualmente; segundo, porque cinema não é a morada da palavra, única e exclusivamente. Cinema é imagem em movimento. Convivemos, já há algum tempo, com um certo fetichismo em ver, ver, ver; e, por mais que isso possa nos interessar, ver, existe uma potência naquilo que imaginamos a partir das sugestões que os filmes podem nos trazer – das artes, aliás –. É sobre isso que fala Inácio Araujo, nesta entrada.

Acredito que o começo do filme M., o Vampiro de Dusseldorf, dá boa idéia do poder da sugestão.

Agora é possível retornar ao primeiro ponto, a intolerância: Inácio Araujo e até mesmo Stycer (que foi muito mais duro em sua crítica) não fizeram comentários sobre o espiritísmo, eles falaram sobre cinema. Entretanto algumas pérolas como

Eu achei uma falta de respeito muito grande deste senhor Inácio. O filme é maravilhoso….mas só entende quem é evoluído espiritualmente.

Podem ser encontradas nas caixas de comentários. O que acaba por me lembrar de A Nova Roupa do Imperador, conto atribuído a Hans Christian Andersen que li quando ainda era um meninote; intolerância e ignorância, jogados em poucas linhas por uma pessoa que se acha extremamente evoluída. Talvez intolerância se resolva com cultura, inteligência e educação (idéias próximas mas que ocupam espaços diferentes) e, por isso, deixo a dica do intersemiótica.com, ótimo sítio pra ler sobre as diferenças entre meios.

Pra continuar falando de filmes, devo dizer que Tropa de Elite 2 me deixou feliz. Nem pretendo discutir aspectos técnicos ou ideológicos do filme, nada disso (e dá pra parabenizar de um lado e até que reclamar de outro… não necessariamente nessa ordem). Queria, sim, falar um pouco sobre a crítica do Stycer – o mesmo citado aí pra riba – sobre o filme, ao dizer que o filme oferece poucos subsídios para a discussão da segurança pública. Esse tipo de idéia costuma ser um problema, na minha cabeça: não tenho qualquer problema que se tenha a pretensão de criar uma provocação sobre a questão da segurança pública, com esse filme, e menos ainda que se aproveite a onda das eleições pra fazer com que o filme renda mais nas bilheterias – – dá até pra ver o filme como retrato de si mesmo, agora – -, mas acho bobagem querer que um filme, qualquer seja ele, apresente respostas pra vida, o universo e tudo mais. Em duas horas? Por favor, não? Aliás, não consigo ver arte como forma de apontar respostas; a arte deve provocar, não apresentar soluções prontas.

Menos leituras cabeçudas

Parei um pouco com a leitura de textos mais críticos, teóricos, (name it yourself). Queria dizer que foi apenas preguiça, mas o processo de preparação para a peça Santa Joana dos Matadouros tem exigido direções diferentes e, sinceramente, eu vinha me sentindo cansado. Acabei pegando Dragão Vermelho, de Thomas Harris, pra ler. Realmente interessante, fiquei entretido por um bom bocado de horas. Tropecei, entretanto, no que considero uma questão conceitual, que tem relação – porque serviu como exemplo – com o filme M., o Vampiro de Dusseldorf: por que diabos é necessário explicar as ações dos personagens? Eu aceitaria as ações da Fada do Dente sem qualquer explicação sobre quem foi, quais as situações pelas quais passou na infância, etc. etc..

Os livros cabeça não foram esquecidos

Divertido. Ainda outro dia pensava sobre uma discussão que tivera há meses, sobre o teatro fora de locais edificados para fins teatrais e mal sabia que estava prestes a participar de um grupo de estudos sobre o tema. Transitarei, então, nas cercanias da Internacional Situacionista e os textos de Guy Debord e outros. Política demais, bem verdade, mas uma porção de conceitos que obrigam a repensar o teatro. E a cidade.

Filmes

 

Depois de semana sem postar, um apanhado geral.

 

Não assisti a Nosso Lar. Deveria, pra falar sobre com alguma propriedade, mas queria deixar indicada a crítica de Inácio Araujo. Não porque concorde com ela no que diz respeito com relação à película – afinal, como disse, não assisti ao filme –, mas por dois outros motivos: primeiro, por conta da intolerância exibida em comentários e textos paralelos, escritos por tantas pessoas que se dizem evoluídas espiritualmente; segundo, porque cinema não é a morada da palavra, única e exclusivamente. Cinema é imagem em movimento. Convivemos, já há algum tempo, com um certo fetichismo em ver, ver, ver; e, por mais que isso possa nos interessar, ver, existe uma potência naquilo que imaginamos a partir das sugestões que os filmes podem nos trazer – das artes, aliás –. É sobre isso que fala Inácio Araujo, nesta entrada.

Acredito que o começo do filme M., o Vampiro de Dusseldorf, dá boa idéia do poder da sugestão.

Agora é possível retornar ao primeiro ponto, a intolerância: Inácio Araujo e até mesmo Stycer (que foi muito mais duro em sua crítica) não fizeram comentários sobre o espiritísmo, eles falaram sobre cinema. Entretanto algumas pérolas como

QUOTE

Eu achei uma falta de respeito muito grande deste senhor Inácio. O filme é maravilhoso….mas só entende quem é evoluído espiritualmente.

Podem ser encontradas nas caixas de comentários. O que acaba por me lembrar de A Nova Roupa do Imperador, conto atribuído a Hans Christian Andersen que li quando ainda era um meninote; intolerância e ignorância, jogados em poucas linhas por uma pessoa que se acha extremamente evoluída. Talvez intolerância se resolva com cultura, inteligência e educação (idéias próximas mas que ocupam espaços diferentes) e, por isso, deixo a dica do intersemiótica.com, ótimo sítio pra ler sobre as diferenças entre meios.

 

Pra continuar falando de filmes, devo dizer que Tropa de Elite 2 me deixou feliz. Nem pretendo discutir aspectos técnicos ou ideológicos do filme, nada disso (e dá pra parabenizar de um lado e até que reclamar de outro… não necessariamente nessa ordem). Queria, sim, falar um pouco sobre a crítica do Stycer – o mesmo citado aí pra riba – sobre o filme, ao dizer que o filme oferece poucos subsídios para a discussão da segurança pública. Esse tipo de idéia costuma ser um problema, na minha cabeça: não tenho qualquer problema que se tenha a pretensão de criar uma provocação sobre a questão da segurança pública, com esse filme, e menos ainda que se aproveite a onda das eleições pra fazer com que o filme renda mais nas bilheterias – – dá até pra ver o filme como retrato de si mesmo, agora – -, mas acho bobagem querer que um filme, qualquer seja ele, apresente respostas pra vida, o universo e tudo mais. Em duas horas? Por favor, não? Aliás, não consigo ver arte como forma de apontar respostas; a arte deve provocar, não apresentar soluções prontas.

 

Menos leituras cabeçudas

 

Parei um pouco com a leitura de textos mais críticos, teóricos, (name it yourself). Queria dizer que foi apenas preguiça, mas o processo de preparação para a peça Santa Joana dos Matadouros tem exigido direções diferentes e, sinceramente, eu vinha me sentindo cansado. Acabei pegando Dragão Vermelho, de Thomas Harris, pra ler. Realmente interessante, fiquei entretido por um bom bocado de horas. Tropecei, entretanto, no que considero uma questão conceitual, que tem relação – porque serviu como exemplo – com o filme M., o Vampiro de Dusseldorf: por que diabos é necessário explicar as ações dos personagens? Eu aceitaria as ações da Fada do Dente sem qualquer explicação sobre quem foi, quais as situações pelas quais passou na infância, etc. etc..

 

Os livros cabeça não foram esquecidos

 

Divertido. Ainda outro dia pensava sobre uma discussão que tivera há meses, sobre o teatro fora de locais edificados para fins teatrais e mal sabia que estava prestes a participar de um grupo de estudos sobre o tema. Transitarei, então, nas cercanias da Internacional Situacionista e os textos de Guy Debord e outros. Política demais, bem verdade, mas uma porção de conceitos que obrigam a repensar o teatro. E a cidade.

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