Dragonlance – Dragões do Crepúsculo do Outono: já tinho lido antes?

Acabei, no último dia do ano passado, de ler Dragons of Autumn Twilight (publicado no Brasil pela editora Devir como Dragões do Crepúsculo do Outono), escrito por Margaret Weis e Tracy Hickman; foi indicação do Miranda, pra uma próxima campanha de Role Playing Game (RPG), que temos planejada pra esse ano, no mundo de Dragonlance.

Parei, então, pra ler o livro: precisava de alguma inspiração pra criar personagem e, mais ainda, queria entender a mitologia de Dragonlance. Curiosidade pura.

Comecei a ler já sentindo o gosto de literatura barata. Nada contra, ler pocket após pocket de Star Trek, Star Wars e crônicas vampirescas me levaram, eventualmente, a leituras com mais substâncias. O gosto me levou a pensar em disposição, mas falo sobre isso lá pelo final do pousté. Antes, o comercial.

pockets

Pockets e afins - algumas coisas na minha estante

Comercial, mesmo, porque o livro de Weis e Hickman é exatamente isso, sem tirar nem pôr. Não é um problema, não tem motivo pra nos enganarmos achando que grandes autores não publicam por dinheiro. Enveredemos por isso não. Por outro lado, não percorrer tais picadas impossibilitaria este texto inteiro, então vamos ao menos passar pelo x da quextão: quão diferente é este Dragões do Crepúsculo do Outono de O Senhor dos Anéis?

Há similaridades demais (pelo menos pra mim). Vejamos:

1)   há uma caravana de heróis atravessando um mundo onde está prestes a eclodir uma guerra (Krynn x Terra Média);

2)   o líder da companhia é meio-elfo (Tanis x Aragorn);

3)   o anão que acompanha o grupo é rabugento (Flint x Gimli);

4)   ele também adora reconhecer e exaltar o trabalho de construção e lapidação feito por anões;

5)   o grupo atravessa uma floresta da qual ninguém vivo sai há muito tempo (Darken Wood x Lothlórien);

6)   os aventureiros viajam para uma cidade importante dos elfos (Qualinost x Rivendell);

7)   os elfos estão abandonando o mundo dos homens;

8)   Tanis, o meio-elfo, já teve um caso com a filha do líder dos elfos de Qualinost (Laurana x Arwen);

9)   Laurana, ainda apaixonada por Tanis, segue o grupo, deixando o grupo de elfos que está fugindo. Nesse momento, ela vira uma mistura de Arwen com Éowyn;

10)   Em reviravolta nada esperada (ironia pura) um dos vilões acaba ajudando a resolver um dos maiores problemas que os heróis enfrentaram.

É certo que O Senhor dos Anéis é daquelas obras que fazem parte do mundo pop, sem muito daquela aura que se pretende dar a livros de autores como Paulo Coelho. Os fãs gostam, se dizem e agem como fãs e boa. Não vejo ninguém defendendo as enormes qualidades literárias da obra de Tolkien; quando muito, defendem a imaginação e o universo por ele criado [Acho que devo ser mais justo e dizer que não me parece que considerem Paulo Coelho um grande escritor, como um grande técnico ou invento; consideram-no, antes, um contador de belas estórias e bela filosofia – e, não posso deixar de acrescentar, discordo destas duas afirmações]. Mais certo ainda é que os mundos de fantasia medieval dos jogadores de Role Playing Games (RPG) e derivados têm a obra de Tolkien como base. As raças presentes em O Senhor dos Anéis aparecem também em Dungeons and Dragons (D&D), Dragonlance e outros universos, com pequenas modificações entre um e outro – é algo que se pode dizer sem muito pensar -. Natural, então, que as estórias apresentem similaridades.

Será que é tão natural assim? Ia lendo e me incomodando, com a sensação de ter em mãos algo que já lera. O universo de fantasia medieval não precisa ser pobre; quero dizer, claro, há os esterótipos de personagem, mas hey, nem só de estereótipos vive a literatura.

Sequer espero que este seja uma ode à originalidade, não é isso que buscava ao escrever esse. Sei perfeitamente bem que existe um cânone, arquétipos, etc. etc. (os etc. não nomeio), mas realmente acabei esperando por mais. Quero dizer, o próprio Tolkien criou exceções ao que parece ter se tornado regra; basta lembrar que Gollum era um hobbit e Fëanor se deixou levar pelas mentiras de Melkor, o que nos leva a crer que o lendário elfo não era nada sábio ou justo, diferente de como se costuma caracterizar os elfos em D&D.

Enfim, estou bancando o chato, aqui. Sem crise, eu também nunca consegui ler Harry Potter e já publiquei uma opinião sobre a série Crepúsculo (que não li) aqui. Tracei um limite, um tanto elitista, muito sem noção, quanto ao que ler ou não ler. C’est la vie.

Encaro como um livro pra fãs do gênero. Em tempo: resenhas no skoob.

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